14-07-2007, 03:16 PM
Coluna Warm Up: Um pouco Piquet
Se teve algo que passou meio despercebido depois do GP da Inglaterra foi a admissão de culpa de Lewis Hamilton pelo mau resultado na corrida de sua casa. Mau em termos, claro; afinal, chegou em terceiro e se manteve firme na liderança do Mundial. Foi seu nono pódio consecutivo, a terceira maior série da história, colocando-o ao lado de alguns gênios como Lauda e Clark.
O inglês-prodígio, porém, tentou um vôo-solo pela primeira vez no ano, optando por acertar seu carro sem dar uma espiada no que fazia Fernando Alonso e estabelecendo uma estratégia que tinha, como prioridade, fazer a pole e a festa da torcida no sábado.
A tática mostrou-se pouco eficaz no dia seguinte. Foi pura pirotecnia. Ao final da prova, Hamilton reconheceu que o acerto de Alonso, que ele consulta em todas as corridas, era mais adequado a Silverstone. Errou na escolha dos pneus duros para começar a prova, enrijeceu demais as suspensões, teve um desgaste excessivo de borracha e enfrentou dificuldades para controlar a traseira de seu carro, que tinha configuração aerodinâmica diferente daquela que foi exaustivamente estudada e definida pelo espanhol durante os treinos.
Alonso já havia se referido, de passagem, ao fato de Hamilton copiar seus acertos, deixando claro que era algo mais do que natural afinal, trata-se de um estreante, inexperiente e em processo de aprendizado. O bicampeão falou sobre o tema sem nenhuma mágoa especial; apenas para jogar alguma luz às explicações que começaram a pipocar na mídia internacional sobre a performance de Lewis, em geral baseadas numa enxurrada de elogios fáceis ao seu talento acima da média, sem nenhuma base técnica.
É difícil imaginar que Fernandinho vá, a partir do que ocorreu em Silverstone, passar a esconder tudo que faz de seu companheiro de equipe. Bem que ele gostaria, porque deu certo, afinal. Depois de longo e tenebroso inverno, Alonso conseguiu terminar à frente de Lewis. Mas não, a McLaren não permitiria. Em todo caso, há exemplos na história da F-1 de parceiros que, de tão competitivos, tornaram-se inimigos íntimos e usaram de todas as armas disponíveis para ludibriar o piloto com quem dividiam o teto.
Piquet versus Mansell é o caso clássico. O brasileiro chegou a remunerar seus mecânicos para que escondessem da turma de Nigel algumas soluções que encontrava para melhorar seu Williams. Algumas vezes, ia para a pista com determinado acerto, percebia que iria funcionar, e dava uma volta lenta de propósito, para que os mecânicos de Mansell descartassem o que ele tinha imaginado. Nelson chegou, até, a usar um calibrador de pneus descalibrado. Só ele e seu mecânico sabiam que, sei lá, quando o ponteiro marcava 28 libras, estava, na verdade, com 24. Isso para que os espiões do box ao lado levassem informações erradas ao piloto inglês.
Coisas de malandro, que lhe renderam o título de 1987 depois de muita batalha.
Alonso tem sido bonzinho com Hamilton. Talvez, agora, seja preciso recorrer à malandragem para derrotá-lo. Talvez seja preciso ser um pouco Piquet.
FONTE: http://ultimosegundo.ig.com.br/paginas/gra...7/443697_1.html
Se teve algo que passou meio despercebido depois do GP da Inglaterra foi a admissão de culpa de Lewis Hamilton pelo mau resultado na corrida de sua casa. Mau em termos, claro; afinal, chegou em terceiro e se manteve firme na liderança do Mundial. Foi seu nono pódio consecutivo, a terceira maior série da história, colocando-o ao lado de alguns gênios como Lauda e Clark.
O inglês-prodígio, porém, tentou um vôo-solo pela primeira vez no ano, optando por acertar seu carro sem dar uma espiada no que fazia Fernando Alonso e estabelecendo uma estratégia que tinha, como prioridade, fazer a pole e a festa da torcida no sábado.
A tática mostrou-se pouco eficaz no dia seguinte. Foi pura pirotecnia. Ao final da prova, Hamilton reconheceu que o acerto de Alonso, que ele consulta em todas as corridas, era mais adequado a Silverstone. Errou na escolha dos pneus duros para começar a prova, enrijeceu demais as suspensões, teve um desgaste excessivo de borracha e enfrentou dificuldades para controlar a traseira de seu carro, que tinha configuração aerodinâmica diferente daquela que foi exaustivamente estudada e definida pelo espanhol durante os treinos.
Alonso já havia se referido, de passagem, ao fato de Hamilton copiar seus acertos, deixando claro que era algo mais do que natural afinal, trata-se de um estreante, inexperiente e em processo de aprendizado. O bicampeão falou sobre o tema sem nenhuma mágoa especial; apenas para jogar alguma luz às explicações que começaram a pipocar na mídia internacional sobre a performance de Lewis, em geral baseadas numa enxurrada de elogios fáceis ao seu talento acima da média, sem nenhuma base técnica.
É difícil imaginar que Fernandinho vá, a partir do que ocorreu em Silverstone, passar a esconder tudo que faz de seu companheiro de equipe. Bem que ele gostaria, porque deu certo, afinal. Depois de longo e tenebroso inverno, Alonso conseguiu terminar à frente de Lewis. Mas não, a McLaren não permitiria. Em todo caso, há exemplos na história da F-1 de parceiros que, de tão competitivos, tornaram-se inimigos íntimos e usaram de todas as armas disponíveis para ludibriar o piloto com quem dividiam o teto.
Piquet versus Mansell é o caso clássico. O brasileiro chegou a remunerar seus mecânicos para que escondessem da turma de Nigel algumas soluções que encontrava para melhorar seu Williams. Algumas vezes, ia para a pista com determinado acerto, percebia que iria funcionar, e dava uma volta lenta de propósito, para que os mecânicos de Mansell descartassem o que ele tinha imaginado. Nelson chegou, até, a usar um calibrador de pneus descalibrado. Só ele e seu mecânico sabiam que, sei lá, quando o ponteiro marcava 28 libras, estava, na verdade, com 24. Isso para que os espiões do box ao lado levassem informações erradas ao piloto inglês.
Coisas de malandro, que lhe renderam o título de 1987 depois de muita batalha.
Alonso tem sido bonzinho com Hamilton. Talvez, agora, seja preciso recorrer à malandragem para derrotá-lo. Talvez seja preciso ser um pouco Piquet.
FONTE: http://ultimosegundo.ig.com.br/paginas/gra...7/443697_1.html
