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o palhaço Odete amaldiçoado por Salazar
Bem, não posso virar as costas durante um minuto e sou ultrapassado pelo dinamismo das interacções dentro deste post, é um deleite ver que foi catalisado o debate que ganhou vida própria. Vou responder por partes às questões que me foram entabuladas directamente e às referências que foram feitas aos meus posts. Carlos (agora que somos camaradas vou deixar de tratar-se também pelo sobrenome, seria insultuoso), o Parkinson era um fascista? Não seria o Halzheimer? lol ;) Acho que se a minha personalidade envolve, nos seus processos de construção, as companhias que me rodeiam, o mesmo princípio aplica-se igualmente a ti. Se sou o que são as minhas companhias tu és o que são as tuas, a única diferença, em termos práticos, é mesmo só eu ser mais novo e mais bonito. :D Estou a brincar, claro. Mas não tenhas ilusões, somos todos igualmente influenciáveis. O ponto de vista que veiculaste até é parcialmente correcto em termos sociológicos, se pensarmos em termos de interaccionismo simbólico, embora a maior parte das minhas companhias nem sequer sejam comunistas. Acho que assumes demasiadas coisas em relação às pessoas. Empolgaste-te um pouco em demasia na reacção belicosa ao post do marco, tens de fingir ser uma pessoa tolerante, racional e equilibrada para os enganar melhor, mas depois calibramos melhor as tuas artimanhas lá no partido. :D Sobre os posts do Marco e do Azinheira, vou dividir as trajectórias de análise em dois percursos distintos, um dos percursos independente do que se passa na China e o outro que aborda isoladamente os tópicos submetidos a debate tanto pelo Marco como pelo Azinheira. O Azinheira, como é do Sporting (tal como eu, estão a ver que afinal até pode haver mais do que um motivo para ter “verde” no nick, embora não tenha sido a pensar no Sporting que o escolhi), está habituado a ter paciência, mas o Marco parece um tanto furibundo. Fico contente por vos causar gargalhadas e boa disposição, mas também acho importante observar-vos que essas gargalhadas não trazem nada de novo para a discussão e, normalmente, costumam ser uma medida de protecção quando não se tem grande coisa para dizer, é muito mais fácil rir do que discutir construtivamente um assunto. Rindo, não precisamos dar-nos ao trabalho de pensar em qualquer coisa, podemos permanecer ancorados às nossas ideias preconceituosas e monolíticas. As crianças também se riem sempre de qualquer coisas diferente daquelas a questão habituadas, mas sempre têm desculpa por ser crianças. Acho essa atitude muito pueril e já toda a gente aqui tinha idade para ter juízo (incluindo eu), mas desfrutem-na. Até agora tínhamos estado a ter uma discussão séria e com respeito uns pelos outros, mas talvez tenha sido esperar demasiado que permanecesse assim. Vou ignorar os posts ulteriores sobre as anedotas, por não serem importantes para esta discussão embora possam vir a ter, eventualmente, para outras futuras. Em relação à questão dos “comunistas puros”, posta pelo Marco, penso que não existem nem comunistas verdadeiros nem falsos, existem pessoas com as suas próprias ideias e atitudes dentro de vários campos. Em cada um desses campos, essas ideias, vectorialmente falando, orientam-se em direcções e sentidos muito distintos, não ficando comprometida a existência de cânones comuns que asseguram que essas pessoas se identifiquem umas com as outras em questões fundamentais. Um comunista, para ser comunista, não precisa estar organizado dentro de um partido nem concordar com os sistemas que existem ou tenham existido em países governados por partidos que se tenham auto-denominado como “comunistas” (tendo-o sido ou não), um indivíduo não é responsável nem tem de responder por acontecimentos em sociedades sobre as quais não teve a possibilidade de exercer qualquer tipo de influência. O comunismo representa um conjunto de objectivos, de orientações e finalidades que resultam de um modo específico de descodificar as relações sociais e económicas entre os seres humanos, é dentro dessa lógica que são construídos os referenciais, ou melhor, os pontos de referência que formam a grelha de análise em que são aplicadas as nossas definições de justo ou injusto, certo ou errado, etc. Claro que não é assim tão linear porque quase nada existe em termos dicotómicos, a realidade é policromática e não monocromática, felizmente. Esse processo é transversal a todos os seres humanos e varia apenas nos seus conteúdos e modos de assimilação. Em termos estruturais, passa-se o mesmo com todas as pessoas. Há muitos países onde funcionam sistemas capitalistas em todo o mundo, é costume pedir satisfações aos capitalistas quando esses sistemas se transformam em ditaduras? O comunismo não é a China, nem a União Soviética, nem a RDA, nem qualquer outro país. Como já tinha explicado em outros posts, é um conjunto de TENDÊNCIAS políticas. As ideias não são como um clube, não é como ser do Sporting ou do Benfica, são diversificadas e ninguém recebe ordens de ninguém para pensar desta ou daquela maneira, muito menos os comunistas. Ao contrário dos clubes, é perfeitamente normal alguém mudar de ideias como resultado dos processos auto-críticos que caracterizam todos os seres humanos. Se não é isso que acontece com quem sugeriu essas ideias, lamento profundamente. Isto serve para mostrar que “eu próprio” não me identifico com nenhuma das políticas supracitadas pelo Marco e, estando a falar com uma única pessoa, “vocês” ,não costuma ser uma forma muito educada de pôr as questões. É preciso, sempre, tentar compreender os contextos mundiais, estratégicos, políticos, ideológicos, militares, que configuram as transformações que produzem resultados objectivos e susceptíveis de ser discutidos. Agora sobre a China e as contradições com o comunismo, não sou pregador, por isso não “apregoo” nada, não estou a fazer campanha nem a querer obrigar ninguém a pensar como eu. Sobre os salários, isso já foi respondido em alguns posts em resposta ao César Ferrolho, para o mesmo trabalho, existe o mesmo salário base, a produtividade no trabalho é recompensada, como já disse num post anterior, até mesmo a União Soviética foi um dos primeiros países do mundo a criar prémios para o desempenho individual (e nunca ninguém me ouviu gabar lá muito as virtudes do sistema soviético, mas como são relevantes neste debate, têm sido referenciadas). Num sistema comunista ninguém trabalha em “prol” do partido como aqui foi descrito, o que acontece na China também não corresponde exactamente a algo dentro desses parâmetros, há oligarquias, mas essas oligarquias são muito mais restritas do que é dado a entender pelos meios de comunicação que eu tanto critico. E os recursos que monopolizam, em comparação com os monopólios ilegais em países capitalistas, são quase espartanos. A ideia de um sistema comunista consiste em todos trabalharem para todos (ideia também foi, em parte, adoptada pelas sociedades ocidentais, com a introdução de impostos, teoricamente colectados para o benefício de todos, e algumas medidas de protecção social), é apenas assim que o próprio conceito de “sociedade” tem sentido, se não cultivarmos relações nem sentimentos egoístas e individualistas uns em relação aos outros. Sobre o aluguer das casas, o sistema não funciona assim como foi dito, até porque existem sistemas diferentes entre o campo e a cidade, essa sim, é uma das maiores injustiças presentes na China da qual, até agora, ainda ninguém falou. Os critérios definidos na lei para a atribuição de habitações em substituição da anterior são tantos e tão rigorosos que, situações dessas, a existir, são pontuais. Chegou a dar uma reportagem do 60 minutes na CBS precisamente sobre esse tema e chegaram exactamente às mesmas conclusões que estou a relatar. A menos que também sejam conspiradores comunistas. Em Portugal acontecem atrocidades muito maiores em termos habitacionais, tal como aconteceu com pessoas que conheço que, tendo sido desapropriada a casa onde moravam para construção de acessos a uma estrada, foram postos a morar num bairro social com condições abissalmente inferiores às do local onde moravam. Acho muito bem que se critique a China, mas será melhor e mais eficazmente criticada se essas críticas forem direccionadas para os sítios certos. Se criticarem a China pelos atentados aos direitos humanos, acho muito bem. Eu próprio já participei em iniciativas e manifestações organizadas pela amnistia internacional contra isso. Se as críticas forem essas, estou com vocês. Também acho que na China não há possibilidades de socialismo embora exista um partido com uma foice um martelo na bandeira. A China é também um dos maiores países do mundo e com grande potencial para a instabilidade, tal como acontecia no caso da União Soviética que se desmoronou, em grande parte, por causa das tensões nacionalistas que existiam, com mais ou menos intensidade, em cada estado. Marco, a parte do teu post que mais valorizei foi o último parágrafo em que deste uma definição para o que pretendes da sociedade e para as tuas aspirações pessoais. Queres lutar pelo que tens, concordo contigo em absoluto e acredito que seja algo que estás a fazer activamente mesmo enquanto falamos. Em comunismo, qualquer um luta por aquilo que tem, trabalha para ter o que tem, mas dentro de um sistema justo e igualitário, no sentido de haver as mesmas possibilidades de acesso ao emprego e aos recursos que fazem parte dos deveres e das funções sociais do estado. O comunismo é um sistema igualitário mas não igualitarista, não pretende reduzir uma pessoa a um autómato ou a um número, pelo contrário, é um sistema que incentiva a criatividade, as liberdades e a diversidade dos indivíduos. Estou até a repetir o que já tinha escrito em posts anteriores, mas como, alguns deles, eram longos, pode ter passado despercebido. A igualdade, o direito à igualdade de possibilidades, não é falsa, é verdadeira, será justo um filho de um pobre ter de lutar muito mais do que o filho de um rico só porque nasceu no extremo errado da sociedade? É justo o filho herdar a classe sócio-económica do pai e ter vantagens ou desvantagens em relação aos outros? Não devia ter as mesmas possibilidades que tem o filho de um rico? Aqui toda a gente gosta de automobilismo, se tivessem nascido ricos, agora, se calhar em vez de ser o Schumacher, era o Azinheira. Mas não nasceram, azar. É isso que o comunismo pretende garantir que não aconteça, as pessoas não têm todas de ter as mesmas coisas nem ter o mesmo salário, isso é irreal, é insidioso, são coisas postas a circular há décadas pelos interesses anti-comunistas. Tu não és melhor nem pior que o “gajo” ao teu lado, mas se produzes mais, se trabalhas mais, ganhas mais. Este ponto merece ser um pouco mais refinado, porque o objectivo é premiar o esforço e o desempenho que surge como resultado desse esforço, não o facto de seres “melhor” ou “pior” em termos dos teus talentos “inatos”, isso é irrelevante e nem sequer pode enquadrar-se dentro um conceito de “mérito individual” minimamente isento. Comunismo e democracia não têm de forma nenhuma significados opostos, no meu entendimento do assunto, capitalismo e democracia são, esses sim, completamente contraditórios. È democrático o caso que eu descrevi? As disparidades existentes entre as diversas origens de classe? Classes completamente contraditórias e que trabalham umas contra as outras em vez de em função de objectivos comuns. Que condições tem o filho do pobre para exercer, em pleno, os seus “direitos democráticos”? Ouvi até dizer em outro post que quem mais trabalha ganha mais dinheiro. Alguém aqui acredita nisso? O salário, em capitalismo, varia na razão directamente proporcional ao trabalho? A experiência própria já nos ensinou a todos que as coisas não funcionam assim, muitas vezes funcionam numa lógica diametralmente oposta. Predomina a corrupção e todo o tipo de crimes administrativos na sociedade onde vivemos, o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior e é empolado pelo estreitar das elites que, pertinazmente, agregam cada vez mais recursos. Tudo o que existe de intermédio tende, com grande rapidez, a desaparecer e estamos preocupados com a falência do comunismo? Bem sei que só estão a falar nisto por causa do tópico e dos meus posts, mas parece-me existir um estereótipo exacerbado sobre as ideias que são realmente defendidas pelos comunistas. Lamento não ter tempo para escrever mais nada agora, mas amanhã ou depois ainda vou deixar aqui o post sobre a questão do infanticídio que não ficou esquecida e merece atenção especial. Vou dedicar também os próximos posts que fizer a esclarecer algumas ideias sobre o comunismo para ficarmos a saber se essas ideias correspondem ao que conhecem sobre o comunismo ou se, por outro lado, como já aconteceu, são diferentes. Mas seria mais interessante se não fosse só eu a propugnar alternativas para a sociedade, toda a gente aqui deve ter muitas e seria bom aproveitar o post, que até começou com uma brincadeira, para falar mais sobre essas mesmas ideias.
[Image: celeritas_sig.png]
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o palhaço Odete amaldiçoado por Salazar - by diospiro_verde - 05-06-2007, 09:24 PM

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