05-12-2005, 02:56 AM
(This post was last modified: 05-12-2005, 02:57 AM by Luis Branco.)
Não sei a quem te referes que terá que "finar" para haver uma resolução para o caso Camarate.
Agora uma coisa é certa, e essa, meus caros amigos, é bem clara para quem a queira ver: a verdade, seja ela qual for, essa não terá aqui lugar nem tão pouco palavra a dizer.
Infelizmente é disto que se faz a "democracia", que, nunca é mais de lembrar, vem do grego demokratia e significa, literalmente, poder do povo.
Põe-se aqui a questão de quem é hoje o povo, já que nos ditos sistemas "democráticos" é o povo quem tem o poder.
Também num sistema "democrático" o governo é da maioria, e essa, a meu ver é muito pouco representativa, ou, se quisermos, representada.
Nas democracias, e na nossa democracia, o povo, representado por uma minoria - o governo - confunde-se e confunde poder representativo com poder: poder mandar, poder decidir, poder julgar, e poder fazer em nome da maioria que se confunde com a minoria do governo, ou governos.
Mas a história, toda ela, está pejada destas "democracias", camufladas, disfarçadas, de poder de uns quantos em nome de todos os outros.
O caso Camarate só será tornado claro quando esse poder, esse governo, não servir só uns poucos.
Não creio que a "democracia" chegue ao fim só por alguém "finar".
Infelizmente existem muitos Camarates e Casas Pias, mais pequenos, bem sei, de menor importância, certamente, mas que seguem nem mais nem menos que a mesma filosofia destes outros mais graúdos.
Acreditem que são muitos, demais, e nem por isso têm resolução, por serem menores, de somenos importância.
Apenas recordo que Portugal perdeu a Independência durante 60 anos - 1580 a 1640 (e que agora se comemora a sua restauração com um feriado nacional a 1 de Dezembro), e que a perdeu porque de dentro deste país tudo foi feito para a perder. Vem agora nos compêndios de história mas passados que são 450 anos.
Curioso no entanto é constatar como, coincidência das coincidências, que o dia da instauração da República, o nosso 5 de Outubro, é precisamente o mesmo dia da Independência de Portugal (datada de 5 de Outubro de 1143). Porventura os Republicanos escolheram precisamente o 5 de Outubro, com sarcasmo, abolindo a monarquia no preciso dia em que esta haveria nascido com o nosso Portugal. E agora Portugal, nação com as fronteiras mais antigas da Europa e uma das mais antigas da Europa, nem sequer comemora o seu nascimento.
Mas que tem isto a ver com Camarate? Tudo. Porque o que esperar de um país assim, que se tornou nisto, que responde ao poder das minorias que em nome de todos nos governam. Camarate, a atitude os vários governos, do poder, poderes, tribunais, políticos resulta somente da democracia que se têm vindo a construir, se é que a palavra assenta, se é que se chama construir uma coisa destas.
Para acabar, relembro também que foi há 31 anos que se deu o 25 de Abril, também ele bastião da reposição da democracia. Mas há 31 anos que nenhum, nem 1, membro da PIDE/DGS (Polícia Internacional de Defesa do Estado/Direcção Geral de Segurança) foi julgado, ou sequer notificado de qualquer crime ou prática ilícita. E porquê?
Porque o fez a mando do Estado, do Governo, que o fez em nome da democracia, para bem do povo, para bem da maioria.
E esperam vocês que o caso Camarate venha ser deslindado, ou melhor, julgado e punidos, ou no mínimo, apontados os culpados.
Como? Por quem? A mando daqueles que nem coragem têm para comemorar a 5 de Outubro o dia da Independência de Portugal.
E termino dizendo, para quem não conhece, que leia, ou consulte, o caso de Aristides de Sousa Mendes (Cônsul de Portugal em Bordeús) responsável por salvar a vida a mihares de Judeus ao os ajudar a sair das zona ocupadas pelos Alemães e a forma como o Estado, os Governos, ainda há bem pouco tempo, já na década de 90, olharam e actuaram perante este caso (uma vergonha digo-vos só).
Ainda mais por ter sido um homem que além de salvar vidas fez frente a um regime, frente a Salazar, e nem assim, nem assim, mereceu dos Governos pós 25 de Abril um tratamento digno.
A verdade de Camarate? Não, não me parece que mesmo que alguém "se finar" venha mudar o que quer que seja.
Agora uma coisa é certa, e essa, meus caros amigos, é bem clara para quem a queira ver: a verdade, seja ela qual for, essa não terá aqui lugar nem tão pouco palavra a dizer.
Infelizmente é disto que se faz a "democracia", que, nunca é mais de lembrar, vem do grego demokratia e significa, literalmente, poder do povo.
Põe-se aqui a questão de quem é hoje o povo, já que nos ditos sistemas "democráticos" é o povo quem tem o poder.
Também num sistema "democrático" o governo é da maioria, e essa, a meu ver é muito pouco representativa, ou, se quisermos, representada.
Nas democracias, e na nossa democracia, o povo, representado por uma minoria - o governo - confunde-se e confunde poder representativo com poder: poder mandar, poder decidir, poder julgar, e poder fazer em nome da maioria que se confunde com a minoria do governo, ou governos.
Mas a história, toda ela, está pejada destas "democracias", camufladas, disfarçadas, de poder de uns quantos em nome de todos os outros.
O caso Camarate só será tornado claro quando esse poder, esse governo, não servir só uns poucos.
Não creio que a "democracia" chegue ao fim só por alguém "finar".
Infelizmente existem muitos Camarates e Casas Pias, mais pequenos, bem sei, de menor importância, certamente, mas que seguem nem mais nem menos que a mesma filosofia destes outros mais graúdos.
Acreditem que são muitos, demais, e nem por isso têm resolução, por serem menores, de somenos importância.
Apenas recordo que Portugal perdeu a Independência durante 60 anos - 1580 a 1640 (e que agora se comemora a sua restauração com um feriado nacional a 1 de Dezembro), e que a perdeu porque de dentro deste país tudo foi feito para a perder. Vem agora nos compêndios de história mas passados que são 450 anos.
Curioso no entanto é constatar como, coincidência das coincidências, que o dia da instauração da República, o nosso 5 de Outubro, é precisamente o mesmo dia da Independência de Portugal (datada de 5 de Outubro de 1143). Porventura os Republicanos escolheram precisamente o 5 de Outubro, com sarcasmo, abolindo a monarquia no preciso dia em que esta haveria nascido com o nosso Portugal. E agora Portugal, nação com as fronteiras mais antigas da Europa e uma das mais antigas da Europa, nem sequer comemora o seu nascimento.
Mas que tem isto a ver com Camarate? Tudo. Porque o que esperar de um país assim, que se tornou nisto, que responde ao poder das minorias que em nome de todos nos governam. Camarate, a atitude os vários governos, do poder, poderes, tribunais, políticos resulta somente da democracia que se têm vindo a construir, se é que a palavra assenta, se é que se chama construir uma coisa destas.
Para acabar, relembro também que foi há 31 anos que se deu o 25 de Abril, também ele bastião da reposição da democracia. Mas há 31 anos que nenhum, nem 1, membro da PIDE/DGS (Polícia Internacional de Defesa do Estado/Direcção Geral de Segurança) foi julgado, ou sequer notificado de qualquer crime ou prática ilícita. E porquê?
Porque o fez a mando do Estado, do Governo, que o fez em nome da democracia, para bem do povo, para bem da maioria.
E esperam vocês que o caso Camarate venha ser deslindado, ou melhor, julgado e punidos, ou no mínimo, apontados os culpados.
Como? Por quem? A mando daqueles que nem coragem têm para comemorar a 5 de Outubro o dia da Independência de Portugal.
E termino dizendo, para quem não conhece, que leia, ou consulte, o caso de Aristides de Sousa Mendes (Cônsul de Portugal em Bordeús) responsável por salvar a vida a mihares de Judeus ao os ajudar a sair das zona ocupadas pelos Alemães e a forma como o Estado, os Governos, ainda há bem pouco tempo, já na década de 90, olharam e actuaram perante este caso (uma vergonha digo-vos só).
Ainda mais por ter sido um homem que além de salvar vidas fez frente a um regime, frente a Salazar, e nem assim, nem assim, mereceu dos Governos pós 25 de Abril um tratamento digno.
A verdade de Camarate? Não, não me parece que mesmo que alguém "se finar" venha mudar o que quer que seja.

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